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Crescimento e operações

Term sheet: o que é, quais cláusulas importam e o que já obriga as partes antes do contrato definitivo

O term sheet resume os termos do investimento antes do contrato. Veja as cláusulas econômicas e de controle, o que é vinculante e como negociar cada ponto.

Gabriel SerafinGabriel SerafinOAB/PR 131.16010 min de leituraPublicado em 23 de setembro de 2026

Em resumo

O term sheet, ou carta de termos, é o documento que resume os pontos principais de um investimento ou de uma venda antes dos contratos definitivos: valor, participação, direitos do investidor e condições para fechar. Em regra, ele não obriga ninguém a concluir o negócio, mas algumas cláusulas, como exclusividade e confidencialidade, costumam valer desde a assinatura. É nele que se negocia a maior parte do que vai valer depois.

Três perguntas sobre a sua sociedade

Pergunta 1 de 3

A sua empresa recebeu, ou está perto de receber, um term sheet de algum investidor?

O term sheet costuma chegar como uma boa notícia: um investidor quer entrar na empresa e colocou a proposta no papel. São duas ou três páginas, escritas em linguagem de mercado, cheias de termos em inglês. A tentação é assinar rápido, porque "não é vinculante" e porque os detalhes ficam para o contrato.

Esse é o erro mais comum. Os contratos definitivos detalham o term sheet, mas raramente o desfazem. O que foi aceito na carta de termos vira o ponto de partida, e reabrir um tema depois tem custo de negociação e de confiança. Este artigo mostra onde o term sheet entra na operação, o que ele já obriga, quais são os termos econômicos e de controle, com exemplos numéricos, e o que observar antes de assinar.

Onde o term sheet entra na operação?

Etapa, O que acontece
EtapaO que acontece
Primeiras conversasApresentação da empresa, em geral com acordo de confidencialidade
Term sheetAs partes alinham os termos principais e, muitas vezes, uma exclusividade de negociação
Due diligenceO investidor examina a empresa: documentos societários, contratos, passivos, tecnologia
Contratos definitivosContrato de investimento, alteração do contrato social ou estatuto e acordo de sócios ou de acionistas
FechamentoO dinheiro entra, e as quotas ou ações são emitidas ou transferidas

O mesmo documento aparece na venda de empresas, muitas vezes com o nome de carta de intenções, como explicado em como vender uma empresa. O roteiro completo de uma captação, com os instrumentos possíveis, está em como receber aporte.

O term sheet obriga as partes?

Depende do que está escrito. A prática de mercado é separar dois grupos de cláusulas:

Cláusulas que costumam ser vinculantes, Cláusulas que costumam não ser vinculantes
Cláusulas que costumam ser vinculantesCláusulas que costumam não ser vinculantes
Confidencialidade sobre a negociação e as informações recebidasValor e participação
Exclusividade, que impede a empresa de negociar com outros investidores por um períodoDireitos do investidor, como vetos e assentos na administração
Divisão de custos com assessoresCondições dos contratos definitivos
Lei aplicável e forma de resolver divergênciasObrigação de concluir o negócio

Três cuidados evitam surpresas. O primeiro é dizer expressamente quais cláusulas vinculam e quais não. O segundo é não transformar o term sheet num contrato preliminar sem querer: um documento que já traz todos os elementos essenciais do negócio, sem cláusula de arrependimento, pode permitir que uma parte exija a celebração do contrato definitivo (arts. 462 e 463 do Código Civil). O terceiro é lembrar que, mesmo sem obrigação de fechar, as partes devem negociar de boa-fé (art. 422), e o rompimento abusivo de uma negociação avançada pode gerar dever de indenizar.

Quais são os termos econômicos?

Termo, O que define
TermoO que define
Valor do aporteQuanto o investidor coloca
Valuation antes do aporteQuanto a empresa vale antes do dinheiro novo, e portanto quanto do capital o investidor recebe
InstrumentoSe o investidor entra como sócio desde já ou por um instrumento conversível, como mútuo conversível ou SAFE no Brasil
Reserva para plano de opçõesQuanto do capital fica reservado para executivos, e se essa reserva sai antes ou depois do dinheiro novo
Preferência de liquidaçãoQuem recebe primeiro numa venda ou encerramento, e quanto
Proteção contra diluiçãoO que acontece com a participação do investidor se uma rodada futura tiver preço menor

O valuation, porém, não pode ser lido isoladamente. Ele é negociado junto com os demais termos, e uma proposta com número mais alto pode valer menos para os fundadores do que outra com número menor e termos mais simples. Por isso, o exercício útil não é comparar valuations, mas simular quanto cada sócio recebe em alguns cenários de venda e de nova rodada, com todos os termos aplicados.

Dois termos costumam mudar o resultado mais do que o próprio valuation. O primeiro é a reserva para o plano de opções. Numa proposta de R$ 2 milhões com valuation de R$ 8 milhões antes do aporte, o investidor fica com 20%. Se o term sheet exigir uma reserva de 10% do capital criada antes do aporte, ela sai da parte dos fundadores, que passam de 80% para 70%. Na prática, o valuation efetivo para os fundadores cai de R$ 8 milhões para R$ 7 milhões. O efeito dessas reservas no quadro de sócios está em valuation e cap table.

O segundo é a preferência de liquidação. Na mesma empresa, suponha uma venda por R$ 6 milhões:

Tipo de preferência, O investidor recebe, Fundadores e demais sócios recebem
Tipo de preferênciaO investidor recebeFundadores e demais sócios recebem
Uma vez o valor investido, sem participação adicionalR$ 2 milhões, porque é mais que os 20% de R$ 6 milhõesR$ 4 milhões
Uma vez o valor investido, com participação no restanteR$ 2 milhões mais 20% dos R$ 4 milhões restantes, R$ 2,8 milhõesR$ 3,2 milhões
Sem preferência20% de R$ 6 milhões, R$ 1,2 milhãoR$ 4,8 milhões

Na proteção contra diluição, a diferença também é grande. Suponha que a próxima rodada saia pela metade do preço pago pelo investidor. No ajuste integral, toda a participação dele é recalculada como se tivesse pago o novo preço: os mesmos R$ 2 milhões passam a corresponder ao dobro de quotas ou ações, e a diferença sai da participação dos fundadores. Na média ponderada, o ajuste considera o tamanho da nova rodada: uma rodada pequena com preço menor gera um ajuste pequeno, e uma rodada grande, um ajuste maior. A média ponderada é a fórmula mais comum em rodadas equilibradas; o ajuste integral costuma aparecer quando o investidor tem muito poder de negociação.

A proposta costuma vir do investidor, mas nada impede os fundadores de apresentar a sua própria versão ou de responder com uma contraproposta completa, em vez de comentários pontuais. Quem redige a primeira versão define a estrutura da conversa.

Quais são os termos de controle?

Termo, O que define
TermoO que define
AdministraçãoSe o investidor indica administradores ou membros de conselho, e quantos
Matérias protegidasQuais decisões dependem da concordância do investidor, como novas rodadas, venda de ativos e endividamento
InformaçãoRelatórios e acesso a números que o investidor recebe
Vesting dos fundadoresSe as quotas ou ações dos fundadores passam a ser adquiridas ao longo do tempo
Dedicação e não concorrênciaO que os fundadores se comprometem a fazer, e a não fazer
Venda de participaçõesPreferência, venda conjunta e obrigação de venda conjunta
Rodadas futurasDireito do investidor de acompanhar novas rodadas para manter a participação

O equilíbrio entre proteção do investidor e liberdade de gestão está em como não perder o controle da empresa ao receber aporte. As regras de venda conjunta, em tag along e drag along, e a aquisição gradual das participações dos fundadores, em vesting.

Quais condições costumam ser exigidas para o fechamento?

O term sheet também lista o que precisa acontecer antes de o dinheiro entrar. As condições mais comuns são a conclusão da due diligence sem achados relevantes, a regularização de pendências societárias, a assinatura do acordo de sócios ou de acionistas e, com frequência, a transformação da limitada em S.A. Os pontos que a due diligence costuma examinar estão em due diligence societária, e a transformação, em transformar Ltda em S.A..

Quando a empresa já sabe que tem pendências, como um sócio que saiu sem alteração registrada ou uma marca em nome de um fundador, vale revelá-las e tratá-las como condição de fechamento no próprio term sheet. Um achado revelado pela empresa é um item da lista; o mesmo achado descoberto pelo investidor vira desconfiança.

E quando o term sheet é de uma venda da empresa?

Na venda, a carta de termos trata de outros pontos. Em vez de valuation antes do aporte e preferência de liquidação, ela define o preço e o mecanismo de ajuste desse preço no fechamento, em geral pela dívida líquida e pelo capital de giro; a parcela do preço que fica retida para cobrir contingências; eventuais parcelas condicionadas a resultados futuros; a permanência dos vendedores na empresa por um período de transição; e a não concorrência depois da venda. As parcelas condicionadas a resultados, que resolvem divergências sobre o valor da empresa, estão em earn-out.

O que observar antes de assinar?

Ponto, O que conferir
PontoO que conferir
ExclusividadePrazo compatível com a due diligence, e saída se o investidor não avançar no cronograma
Separação entre vinculante e não vinculanteEscrita de forma expressa
Preferência e proteção contra diluiçãoFórmulas e efeitos simulados em cenários de venda e de rodada com preço menor
Reserva para opçõesTamanho e momento da criação, antes ou depois do aporte
Matérias protegidasLista fechada, ligada a decisões realmente relevantes
CustosQuem paga os assessores do investidor, e com que limite
Quem assinaSe o investidor vai entrar por um fundo, uma holding ou um veículo próprio, quem é a parte

Alguns termos do term sheet têm artigos próprios: a ordem de recebimento numa venda, em preferência de liquidação; a proteção contra rodadas a preço menor, em cláusula antidiluição; o prazo em que os fundadores não podem vender, em cláusula de lock-up; e a exigência de uma holding no exterior, em flip de startup. Na compra e venda de empresas, o documento equivalente costuma se chamar carta de intenções.

Por onde começar

Se vocês receberam uma carta de termos, ou estão perto de receber, vale entender o que cada cláusula significa para o controle e para o valor que os fundadores levam, antes de assinar. O Diagnóstico de Risco Societário é uma conversa de 60 minutos por vídeo que mapeia a situação da sociedade e aponta os pontos de maior exposição.

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Este conteúdo é informativo e reflete a legislação vigente na data de atualização. Ele não substitui a análise da situação concreta de cada sociedade.

Perguntas frequentes

É a carta de termos que resume os pontos principais de um investimento ou de uma venda, como valor, participação, direitos do investidor e condições de fechamento, antes dos contratos definitivos.

Em regra, os termos econômicos e a obrigação de fechar o negócio não são vinculantes. Confidencialidade, exclusividade, custos e lei aplicável costumam ser. O documento deve dizer isso expressamente.

É o compromisso de a empresa não negociar com outros investidores ou compradores por um período. Deve ter prazo compatível com a due diligence e prever saída se o investidor não avançar.

É o direito do investidor de receber primeiro numa venda ou encerramento da empresa, em geral até o valor investido. Pode ser com ou sem participação no valor que sobrar para os demais sócios.

Em regra, pode, porque a obrigação de fechar não é vinculante. Mas as partes devem negociar de boa-fé, e o rompimento abusivo de uma negociação avançada pode gerar dever de indenizar.

Na prática, os nomes são usados como sinônimos. O que importa é o conteúdo: quais termos estão definidos, quais cláusulas são vinculantes e se o documento pode ser lido como contrato preliminar.

A lei não exige, mas os termos definidos na carta costumam ser mantidos nos contratos definitivos. Por isso, é na carta que a revisão tem mais efeito.

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Estruturar a sociedade começa por entender a que já existe.

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Gabriel Serafin

Gabriel Serafin

Advogado Societário e Empresarial · OAB/PR 131.160

Gabriel Serafin é advogado (OAB/PR 131.160), formado em Direito pela UDC e pós-graduando em Direito Empresarial pela PUC-RS. Antes da advocacia, passou cinco anos no mercado, em vendas, marketing digital e estratégia de negócios. Hoje concentra a atuação em direito societário e empresarial, com atendimento online para empresas de todo o Brasil.

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